terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A Terceira Inspiradela

Na terceira vez que decido inspirar profundamente, acontece aquilo a que chamo mudança!
Por incrível que pareça, hoje não viajo pelo passado longínquo, por aquelas memórias que na maior parte das vezes me perturbam, como se nesses momentos voltasse a sentir a minha pequenez, assim do tamanho das estrelas quando olhamos para o céu! Hoje inspirei e, recuei apenas um dia...
Estava eu sentada naquele lugar que conhecemos em Agosto, e que de repente se tornou o nosso lugar de eleição, porque será? Durante todos
aqueles meses de incessante convívio, creio que circulamos e aquecemos todas as cadeiras e sofás que por lá passaram!!! O que não deixa de ter a sua piada :) Mas o objectivo não era recuar apenas um dia? Então recomeço:
Ontem estava eu sentada num daqueles sofás, sentada não, completamente recostada, e quase ao meu lado havia alguém que olhava para mim e falava... Dei por mim com vontade de fechar os olhos e continuar a ouvir aquela voz, como uma criança que ouve uma história antes de dormir e sonha com ela...

E na minha terceira inspiradela, desta vez pelo mundo dos crescidos, senti-me maior que as estrelas!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Prende-me a ti!

Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa
- Olá, bom dia ! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
- Ah! Então desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar e acabou por perguntar:
- O que é que "estar preso" quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas a procura?
-Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que é que "estar preso" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas a procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho. - Ando à procura de amigos. O que é que "estar preso" quer dizer?
- É uma coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazito perfeitamente igual a outros cem mil rapazitos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor... tenho a impressão que estou preso a ela...
- É bem possível - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- Oh! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então é de outro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça... E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão... - disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar muito tempo para o principezinho.
- Por favor... Prende-me a ti - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho. - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens não têm amigos. Se queres uma amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. - Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores por exemplo, têm um ritual. À quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, à quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho prendeu a si a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa. - Ai que me vou pôr a chorar...
-A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sozinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu regeui. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi a ela que abriguei com um biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se q até às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
Então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho para nunca mais se esquecer.

Saint-Exupéry A. 1946. O principezinho. Editora Caravela, Lisboa, 66-74.

E foi isto que ontem não deixou que eu visse o eclipse... valeu a pena certamente!! :)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Eclipsada

Queres vir?? :)
(Simela Pantzartizi)

É na madrugada do proximo dia 21 de Fevereiro que ocorre o único eclipse lunar total do ano 2008 (o próximo será apenas no final do ano 2010) e é observável em todo o país. Aqui ficam com o horário para não perderem nenhum pormenor:
00h35: A Lua entra na penumbra

01h43: A Lua entra na sombra
03h01: O eclipse total começa
03h26: Meio do eclipse
03h52: O eclipse total termina
05h09: A Lua sai da sombra
6h17: A Lua sai da penumbra
Ah, é verdade, façam a dança da chuva, mas... ao contrário!!! :)

E agora um pouco de ciência:

Um eclipse lunar é um fenómeno celeste que ocorre quando a Lua penetra totalmente ou parcialmente o cone de sombra projetado pela Terra, em geral sendo visível a olho nú. Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio deste. Assim, o eclipse lunar só ocorre quando a fase de Lua Cheia e a passagem desta pelo seu nodo orbital, coincidem. Este último evento é também responsável pelo tipo e duração do eclipse.
André-Louis Danjon criou uma escala que classifica o obscurecimento durante um eclipse lunar (Escala de Danjon), esta escala vai de 0 a 4:
L=0: Eclipse muito escuro, a Lua torna-se quase invisível durante a totalidade.
L=1: Eclipse escuro de cor acinzentada ou próximo de castanho.
L=2: Eclipse com cor vermelha. A sombra central é muito escura mas as bordas são mais claras.
L=3: Eclipse cor de tijolo. A borda da sombra é brilhante ou amarela.
L=4: Eclipse muito brilhante com cor alaranjada. A borda da sombra é brilhante ou azul.

O eclipse do dia 21 será do tipo L=0.

Referência: MacRobert A. 2004. October's Ideal Lunar Eclipse. Sky and Telescope, 108(4). in http://pt.wikipedia.org/wiki/Eclipse_lunar

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Hoje

Às vezes nem sei bem porque criei este blog, enfim, talvez nem precise de um argumento que seja válido. O que é certo é que talvez sirva apenas para escrever o que me vai na alma, para não deixar escapar nada, para nada cair em esquecimento, nem mesmo as pequenas coisas...

Hoje foi um dia cheio de emoções, daqueles dias que nos marcam pelas pequenas coisas, pelas coisas banais do dia-a-dia, que normalmente nem damos por elas mas que um dia assim sem querer (ou meio por querer), nos fazem sorrir!
Hoje o mar estava como tu gostas, revolto… Não foi isso que me disseste naquele dia??

Hoje mais uma vez, minha amiga, mostraste-me que as melhores coisas surgem de forma inesperada...
Hoje disse-te que sim, minha noiva em fuga!!!!!!!! :) E mesmo que não seja para valer, ou por uma razão ou por outra, podemos fazer de conta!!;)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Vazio


Insignificantes pontinhos, num mundo cheio de pontos... Deixa-te cair no vazio...


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

BABALU, para pensar estou cá eu!!!!!

Se não fosse a minha renezinha que seria de mim?? Mas minha amiga não se esqueça que eu não sou do seu tempo!!! eheh
Este post é todinho só para ti, e sempre anima aqui as hostilidades!!! :) Mas com poucas palavras para não parecer mal!!! ehehe ;) E a imagem diz tudo!!

A Luz

São só imagens, uma paleta de cores ofuscante. São confusas, um reflexo espelhado de nós próprios. São profundas, densas, sombrias...

Numa manhã enquanto dava meia volta na cama, dei por mim de pensamento perdido no meio de folhas cheias de palavras escritas à mão, numa perfeição que agora me incomoda. Tinha comprado aquele caderno num dia que passei sentada naquele banco de jardim (recordas?). Nesse dia, o vento zumbia incessantemente nos meus ouvidos e, na minha cabeça voavam imagens, palavras, recordações, desejos... Nesse mesmo dia pensei que assim fosse possível apagar as memórias que me perturbavam, mas hoje consegui perceber que há coisas que por mais que tentemos não são assim tão lineares...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

De alguém que não assinou

"A caneta não é a melhor e a letra também não. Vais levar algum tempo até conseguires ler o que escrevi, tem mais piada assim. Estou muito contente por ti, por conseguires realizar este "feito", estou muito orgulhoso da minha grande amiga. (...) Acompanhei o teu percurso escolar... Gostava tanto poder voltar atrás e poder viver estes momentos outra vez, como não posso contento-me com as recordações. Quero desejar-te muitas felicidades e sorte para esta fase da tua vida. Conhecendo-te como eu te conheço, sei que vais vencer na vida e digo-te isso do fundo do coração e com sinceridade, porque tu és grande (grande mulher). E já agora, não te esqueças dos amigos. Eu não vou esquecer-te, tens sempre um lugar guardado no meu (o meu coração é mais bonito que o esboço)."