sábado, 21 de janeiro de 2012

Anos de cão - Parte I


Um dia escreveu-lhe uma peça para que interpretasse, tomasse como guia e a encontrasse naquele sítio que haviam escolhido para ser deles. "Encontra-me aqui, onde o norte se perdeu, o mar não chega, pela hora onde Antares está um metro acima da linha do horizonte", lembro-me vagamente de ler.
Estávamos em pleno Verão e a sua máquina movia-se a amor. O tempo, embora passasse à mesma velocidade de sempre, acompanhando a rotação da Terra, parecia, ainda assim, veloz, como o burburinho de um milhar de milhão de bocas que falam ao mesmo tempo e fazem vibrar os tímpanos como o zumbido de um milhar de milhão de abelhas iradas. Ritmo frenético ou anos de cão, eles chamaram-lhe viver.

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