sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Conversas e outras histórias - Capítulo III



8 de Março de 2010, dialogando sobre nada:


“Mulher – Feliz dia da mulher!
Homem – Obrigada! Sabia que não te irias esquecer, as datas sempre foram o teu forte! Feliz dia da mulher, Sr.ª Mulher!
Mulher – Obrigada, mas hoje e, directamente do País das Maravilhas, sou um Homem!
Homem – Fodasse!!!!!!!!! Um homem? O que vale é que é só hoje, senão eu teria sido paneleiro, gay, rabeta, boiola, homossexual, aquele que abafa a palhinha, numa parte da minha história! Ufa!
Mulher – Confessa lá que até tens um fraquinho pelo sexo “oposto”!
Homem – Já viste…
Mulher – Por acaso, creio não conseguir ver muito bem, ou pelo menos já vi melhor, depende do contexto…
Homem – Lá está! Afinal não é o amor que move o mundo, mas sim o contexto!
Mulher – É facto que nunca chegaria a tão brilhante conclusão. Mas ainda tenho esperança que o amor faça mover o meu mundo, em que contexto é que ainda não sei!”

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A décima inspiradela - Comunicar

Foto por João Pedro, 2010

Comunicar.
Desdenhar palavras pela boca como se elas não tivessem fim, como se não se gastassem, como se não servissem para mais nada do que apenas a (i)reflexão de algum sentido traduzida na articulação sonora, esganiçada ou estridente da própria voz.
Dizemos o que sentimos, o que não sentimos e acrescentamos um pouco mais para não parecer que estamos vazios, ou que ignorância das palavras nos atacou!
Para aqueles que têm muito para falar e pouco para comunicar, talvez fosse bom perceber que comunicar não é sinónimo de Falar.
Comunico.
Razões para a falta de palavras: esqueci como se pronunciam, o tempo consumiu-as ou ainda posso aplicar a teoria das amnésias temporárias com causas incertas, que proporcionam a incomodativa sensação de ter as palavras debaixo da língua e não as conseguir dizer e que ainda fazem revirar os olhos como se as procurasse dentro do cérebro!
Será que se eu levantar a minha língua conseguirás ler aquilo que tenho para te dizer e tirar cada palavra, letra a letra, libertando dentro de mim este algo que me enche e transborda?
À falta de ser como aqueles que muito têm para dizer e pouco para comunicar, enquanto as palavras não fluem, dou expressão ao corpo em pequenos movimentos que desenho a carmim.