sábado, 22 de maio de 2010

Alguma coisa contra os meus sapatos verdes?


Saiu à hora do almoço apressada e emproada, onde iria ela tão fresca e retocada?
Subiu a rua de mala ao ombro, de semáforo em semáforo, de lado a lado, de lés a lés, com passos largos, lá ia ela de nariz empinado.
Tocou à campainha. Tinha quarto e almoço reservado para um horário apertado.
Ele abriu-lhe a porta e em silêncio beijou-a,
- Hoje trazes sapatos verdes!
- Alguma coisa contra os meus sapatos verdes?
- Não, mas gosto mais de ti sem eles!
Ele foi almoço, sobremesa, café e cigarro, menu gourmet degustado, suado, mastigado, engolido de uma só vez num espasmo prolongado.
Com um cheiro diferente na pele saiu do quarto, desceu as escadas, desceu a rua, lá ia ela de mala ao ombro, de semáforo em semáforo, de lado a lado, de lés a lés, com passos largos, ela voltava, de nariz empinado, para o mesmo espaço agastado!
Estava de estômago vazio mas de alma repleta, sossegada e saciada!

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