sábado, 2 de janeiro de 2010

Por outro lado

Maria, a aparição

Chegaste aqui toda lançada,
prepotente e mal-encarada.
Ar nobre de francesa,
roupa chique e perfumada.
Melhores lojas de Lisboa?
Tenda rasca, Feira da Ladra?
Antecipas qualquer moda
Pop-chunga ou Alta Roda.
Os saltos-altos que te anunciam
Altivam ainda mais essa pancada.

Mas há qualquer coisa que em ti me fascina
além das tuas roupas e adereços.
À luz do foco que te ilumina,
ar de puta sacra, mulher divina
senhora de si e dos seus preços.

O teu cabelo negro escorrido.
Os teus olhos de preto pintados.
De cigarro na boca vieste ter comigo.
Esse isqueiro não quer ser mais teu amigo
Vieste pedir isqueiro emprestado.

O tempo pára como por magia.
Fixas-me esse teu olhar de ninfeta.
Mulher fatal, musa maior da poesia.
"Não sou uma puta, chamo-me Maria"
"Boa noite, sou o Vicente e sou poeta".


Por José Brito em: http://osedutorfarsolas.blogspot.com/


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