quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A nona inspiradela

Foto por Ruben Ferrara Barulho



No caminho de casa, aquele em que já nem reparo por o saber de cor (mesmo sem o conhecer), pensava em como de repente saímos dos bastidores e nos tornamos animais de palco! Criamos os nossos personagens, representamos, imitamos, mentimos, somos heterónimos de nós próprios, homónimos do eu que nos dá nome... E nesta agastada pandemia solitária, damos por nós completamente dedicados à análise diária do próprio umbigo...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um crime passional (ela)

Mordeu o lábio e saboreou o sangue que dele irrompia! A que sabia? Era doce, com travo metálico e uma pitada de flor de sal, que gostoso recital! Queria mais! Afinal, é necessário degustar para saber apreciar! Mordeu, mordeu, mordeu! QUE DOR! (Que prazer?) Que impulso libertino! Pobre lábio dilacerado, tentador autoflagelo!
Era caso para ter medo! Não dos actos, mas da própria inconsequência, porque no final tinha fome!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Por outro lado

Maria, a aparição

Chegaste aqui toda lançada,
prepotente e mal-encarada.
Ar nobre de francesa,
roupa chique e perfumada.
Melhores lojas de Lisboa?
Tenda rasca, Feira da Ladra?
Antecipas qualquer moda
Pop-chunga ou Alta Roda.
Os saltos-altos que te anunciam
Altivam ainda mais essa pancada.

Mas há qualquer coisa que em ti me fascina
além das tuas roupas e adereços.
À luz do foco que te ilumina,
ar de puta sacra, mulher divina
senhora de si e dos seus preços.

O teu cabelo negro escorrido.
Os teus olhos de preto pintados.
De cigarro na boca vieste ter comigo.
Esse isqueiro não quer ser mais teu amigo
Vieste pedir isqueiro emprestado.

O tempo pára como por magia.
Fixas-me esse teu olhar de ninfeta.
Mulher fatal, musa maior da poesia.
"Não sou uma puta, chamo-me Maria"
"Boa noite, sou o Vicente e sou poeta".


Por José Brito em: http://osedutorfarsolas.blogspot.com/