sábado, 26 de dezembro de 2009

Eu tenho uma amiga que se chama Maria - Parte III, O Corpo Nu

Desenho a carvão por Inês Correia, prestes a ser pendurado na parede do meu quarto.

Não me lembro de ter tirado a roupa, mas ele também estava ali, nu, mesmo à minha frente.

Era um final de tarde, assim como o de hoje, próximo do Natal, saí de casa mas não tinha para onde ir. Enfiei-me no carro e andei às voltas, à toa, sem rumo, sem Norte sequer sem Sul.
A cidade parecia impressionantemente deserta, sóbria, satisfeita, apenas as luzes de Natal a desgastavam! Parei junto ao cais velho para fumar um cigarro, fumei três! Gostava daquele sítio, era o meu espaço utópico, símbolo da minha evasão…
Não sei o que ele fazia ali, não recordo como me abordou, mas durante horas fez-me companhia e fiquei a conhecer as suas “questões profissionais” que o fazem ter “o hábito (quase) inato de contar ao ritmo dos segundos”.

Quando sai do seu apartamento, sorri e dentro de mim alguém disse: “Tens a manha de uma puta e a interrogação de uma criança.”

No fundo, foram apenas reflexões sobre prazeres ocultos… Para ele, um facto consumado, para mim, uma descoberta…

Consegues perceber-me? - Perguntou-me Maria.

- Não sei... E tu consegues perceber-te?

Maria era mentirosa.
Maria a mentirosa.
Maria tinha a mania de mostrar a sua manha, mas ela só queria que um dia, o despertador não tocasse e pela manhã ela acordasse, num sítio onde alguém a confortasse, sem fazer perguntas, sem esperar respostas…

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