sábado, 12 de dezembro de 2009

Eu tenho um amiga que se chama Maria - Parte II, A Metamorfose


Finalmente ela encontrara-o!

Em mais um final de tarde de conversas com Maria, descobri que realmente existem coisas que é melhor nem questionar. A sua origem, apesar de duvidosa, era como a chuva que cai do céu, fresca, de acidez moderada e por vezes muito inesperada.
Fiquei curiosa porque no nosso último encontro, deixou que ficassem a pairar na minha cabeça inúmeros pontos de interrogação, tinha sempre esta mania de me fazer pensar nas entrelinhas, “Exercita o cérebro”, dizia-me ela!

- Porque falas em coincidências sistemáticas?

Com uma ginástica impressionante, deu meia volta sobre a sua anca e levantou-se da soleira da janela com vista para o mar onde estávamos sentadas. Naquele momento não tive medo de cair, segui-a com os olhos e fiquei a contemplar a maneira como caminhava... Maria foi buscar aquilo que ela, com aquele sotaque italiano que me fascinava, chamava Libreria degli innocenti.

Coincidência [kwí]
nome feminino
1.acto ou efeito de coincidir; simultaneidade
2.estado de duas ou mais coisas que se ajustam perfeitamente
3.concomitância acidental de dois ou mais fenómenos; acaso
(De co-+incidência)

Sistemático
adjectivo
1.pertencente ou relativo a um sistema
2.posto em sistema
3.que obedece a determinado sistema
4.figurado metódico; ordenado
5.figurado que segue sem interrupção; constante; regular
(Do gr. systematikós, «id.», pelo lat. systematìcu-, «id.»)

- E agora? Perguntei eu.

- O meu agora com ele já existiu, aconteceu, como tantas outras coisas já aconteceram em mim, o agora figurado em depois não interessa! Creio que a nossa coincidência não foi o estado de duas coisas que se ajustam perfeitamente, mas sim a concomitância acidental dos nossos fenómenos. Para dizer a verdade e saltando a linearidade das definições, foi uma espécie de 2 em 1, a purificação e o pecado.
  • A sua metamorfose começava aqui. Naquele momento olhei para Maria, recordei o jeitinho como há pouco caminhara… Ela movia-se com a mesma subtileza de uma borboleta voraz!

(Poder-se-á chamar coincidência a algo que o acaso ainda não consegue contemplar??)

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