segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Até que a morte nos separe

O despertador. Como odeio o meu despertador! Aquele trimmmmmmmm que interrompe o sono, os sonhos, que tira da cama o corpo que ainda precisa de descanso, que despede o amor, o abraço, o conforto.
Lá vão os tempos em que os despertadores eram cuidadosamente colocados em cima da mesinha de cabeceira e todas as noites acertados com a pouca precisão que lhe era permitida. Recordo-me ainda do despertador azul bebe redondo com duas campainhas que anos a fio, sempre à mesma hora, despertou Maria, mais conhecida por Bia, a minha avó paterna. A chegada dos despertadores digitais, ou o famoso 2 em 1 rádio-despertador, libertou-a do terrível tic-tac que lhe desgastava as noites e provocava insónia! Contudo, a troca ou substituição foi comedida, o despertador azul bebe, que era considerado relíquia da casa, já não se fazia ouvir mesmo junto ao ouvido direito mas, ficou bem perto do tecto, em cima do guarda-fato. O melhor despertador que alguma vez tive e continuo a ter, é o mãe-despertador, bem personalizado, com modo de repetição e com aquele jeitinho especial para o acordar sobressaltado! Apesar de toda a excelência do mãe-despertador não posso esquecer o inovador telemóvel-rádio-internet-tv-despertador com as suas todas e mais alguma vantagens! Mas, por mais avançada que seja a sua tecnologia, o único momento em que consigo amar o meu despertador, é quando me desperta de pesadelos!
Os meus sonhos são sempre muito difusos, umas noites tácitos outras cobertos por uma profunda apatia que se prolonga pela manhã, que provocam angústia, que são memoráveis quando não deviam ser.
Uma noite sonhei com Luísa, uma vizinha do r/c que há meses se pronunciava sobre a sua cama forrada com lençóis cor-de-rosa, construindo nela o seu leito de morte. Nessa noite sonhei que Luísa tinha morrido, na manhã seguinte Luísa morreu.
Sei que não existe o momento certo. A vida é efémera, ou mais que isso, é até que a morte nos separe.
A morte. Como odeio esta sensação de que a qualquer momento a morte vai surgir! É como aquele trimmmmmmmm que interrompe o sono, os sonhos, que atira o corpo em eterno descanso, que despede o amor, o abraço, o conforto.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sucessões de Ordem n

Pensamento de Primeira Ordem:

A falsa verdade ou a estranha mentira?

Pensamento de Segunda Ordem:

Sinto-me a divagar devagar pelas entranhas dos estados mais remotos,

Pensamento de Terceira Ordem:

Imagino que sou um bicho, um bicho de faz de conta

Pensamento de Quarta Ordem:

Tenho sentimentos retraídos pela infância.

Pensamento de Quinta Ordem:

Gosto de quando gostamos do nosso cheiro, mesmo quando cheiramos mal!

Pensamento de Sexta Ordem:

Deitados e despidos sentimos o rigor do ar seco e frio que nos enche pulmões,

Pensamento de Sétima Ordem:

Adormeci e sonhei com a cor do céu que anuncia tempo quente...

Pensamento de Oitava Ordem:

No final, com o cair da madrugada, deixo entrar em mim toda a tua irracionalidade.

Pensamento de Ordem n: