domingo, 15 de fevereiro de 2009

Conversas e outras histórias - Capítulo I

B – Quantas vezes adbicaste de alguém ou de alguma coisa por teres medo de avançar, do desconhecido, de arriscar?

P – Como assim B?
Explica lá!
B – É só uma pergunta. Não tem muito para explicar.
P – Raramente.
B – E em que momentos isso já te aconteceu?
P – Não me lembro
B – O David Fonseca é giro!
P – Tem a sua piada!
Mas conta lá porquê!
B – Estava só a pensar nisso.
P – Conta!
B – Sabes que não vou contar!
Estava a pensar, só isso.
P – Não sei.
B – Estou muito introspectiva hoje...
P – Mas conta...
B – Estava a reflectir porque é que isso me acontece...
Consigo arriscar até um determinado ponto...
P – Mas...
B – Mas depois, muitas vezes, em decisões importantes fico com muitas dúvidas e tenho medo de tomar a decisão final! Esse medo faz com que, siga o caminho errado ou que decidam por mim.
Tenho andado a pensar nisto. Não me tinha apercebido que era assim...
P – E já seguiste o caminho e arrependeste–te por teres ido até ao fim?
B –Tenho a sensação que deixo tudo a meio.
Poucas vezes cheguei ao fim.
P – E foi muito mau?
B – Não, foi bom! Ou se não foi bom, valeu a pena!
P – Então é errado não ir até ao fim?
B – Ah! espera... Percebi mal...
P – É errado ficar a meio?
B – Sim, é errado ficar a meio!
Arranjo desculpas para ficar pelo caminho.
Engano–me.
Envolvo–me num camuflado.
Sigo outro caminho...
A meio paro para descansar. Sem querer olho para trás e reparo que pelo caminho foram caindo pequenas coisas da minha mala de viagem, pequenos fragmentos de mim. Deparo–me com três opções: continuar em frente e esquecer o que perdi, voltar para trás e reaver aquilo que conheço e já me pertenceu ou seguir um novo trilho e construir uma nova história com novos fragmentos.
P – Especifica agora a situação.
B – É uma sensação estranha...
Nenhuma situação específica.

P – Nenhuma?
B – ...Nenhuma...
P – Mas não te sentes bem agora?
B – Sinto–me confusa, angustiada, triste, com um vazio de espírito...
P – Podes falar concretamente...
B – Às vezes acho que só estou "bem" vivendo na minha alegria de ser triste.
P – É mais calmo e não há grandes incómodos de facto, mas falta sempre alguma coisa.
B – Sim... Falta sempre qualquer coisa...
P – Estás a falar de nós ou de outras coisas em geral?
B – Não queria ser tão directa, porque isso não interessa nada, mas como estás a insistir...sim, de nós...
E nem devia falar isto contigo...
P – Mas somos amigos não tens que ter problema em falar disso. Acho...
E há quanto tempo te sentes assim?
B – Sim, somos amigos, acho que não há grande problema... Mas tirando isso é estranho...
Talvez não interesse continuar a conversa, pode não ser correcto estar a dar mais volta a este assunto. Não?
P – Não há problema da minha parte. Aliás, acho que faria bem!
B – Como assim?
P – Sim, compreendermo-nos realmente um ao outro, algumas coisas ficaram por explicar ou compreender!
B – Podemos continuar então.
P – Podemos.
B – Onde íamos?
P – Ficar a meio das coisas.
B – Há uns tempos dei por mim a pensar no que se tinha passado. Em como as coisas mudaram de um momento para o outro, em como sou tão inconstante, em como não me consigo libertar e sair do armário...
O armário é um sitio seguro, não tenho que falar, tocar, sentir, exprimir sentimentos, estou sozinha... Fico só a olhar, pelo buraquinho da fechadura, vejo as horas que passam e respiro com alguma calma, o ar que o buraquinho da fechadura deixa entrar pode não ser suficiente para o tempo que li quero ficar. Estou nervosa, começa a faltar o oxigénio e sufoco… Sobrevivo, mas o que eu queria era ficar ali e sucumbir no meio da bruma que me envolve. Ou então que me salves, sei lá…
È tão ambíguo o que sinto, comparo–o com aquela música do António Variações "estou bem onde não estou…”.Parece que estou sempre à procura de qualquer coisa.
E, no final, resumindo o que disse até agora, tenho medo de me magoar, de num dia me deixar levar e no dia a seguir acordar e ver que tudo mudou... ou de me iludir...
Sou uma grande egoísta...
P – Não percebi a penúltima frase. Medo de estares a amar e já não te amarem?
B – Sim acho que é isso.
P – Eu prefiro que isso me aconteça do que sentir que perdi a possibilidade de saber se era realmente Aquela Pessoa. Mas claro, que há sempre a possibilidade de nos magoarem mas, mesmo que isso aconteça há muita coisa boa partilhada até lá.
B – É... poucas foram as vezes que me dei essa oportunidade...
P – Não te quero ver triste.
B – Isto passa! =)
P – Prefiro estar eu triste a ver–te ou saber que estás assim
B – Tenho dias assim... Só estou assim porque quero.
Até foi bom falar disto, amanhã vou acordar mais leve!
P – A miúda dos Donna Maria tem cá um decote! =)
B – Sim =)
P – Tu também! =)
B – Boa programação esta noite!
P – Contigo é estranho porque parece que nunca houve um fim. Faltou fim!
Não te tenho mágoa, tenho o mesmo carinho de sempre, mais do que isso, gosto de ti, mas é estranho ver–te um ano depois...
B – Apesar de termos sempre mantido contacto, foi estranho para mim também... Mas a minha cabeça ficou cheia de pontos de interrogação pois, por mais que eles já existam, a ausência não os deixava aflorar. Creio que com o tempo voltará ao lugar e fico feliz por pensar em como foste (e és) importante para mim.
Temos uma história bonita e partilhamos boas coisas. Daquelas histórias para contar aos filhos dos meus sobrinhos numa tarde de frio e chuva, assim já a babar pela falta de dentes!! :p
P – O que me irrita é que nem me deste uma oportunidade para lutar por ti, de repente desististe e custa penar que podíamos estar juntos até hoje e continuar a história bonita.
B – Fui muito egoísta, só pensei em mim... mas aconteceu assim...
P – Tu só tens que pensar em ti, ou se gosta ou não se gosta. Mas deixaste de gostar? Ou tiveste medo de gostar ou de te magoar ou a hipótese n.º3?
B – Tive medo de gostar.
Tive medo de me magoar
Tive medo de não me sentir segura
P – Pelo facto de eu ir embora?
B – Também
P – A sério?
B – Resumindo, é a mudança que me assusta.
P – E porque não falaste comigo nessa altura? Pensei que já não gostasses de mim ou que tivesses interessada noutra pessoa ou que simplesmente já estavas farta de mim...
B – Não sei porquê não falei. Não sei se na altura ia ser capaz de dizer alguma coisa coerente... Como gostava de ti... Talvez o meu segundo eu seja masoquista. Não estava farta de ti e não estava interessada noutra pessoa.
P – Saltar agora do comboio antes que fique mais rápido e me magoe ainda mais...
B – Não percebi o sentido dessa frase. Como se fosse eu a falar?
P – Sim.
B – Sim é isso... Desculpa...
P – Não me tens que pedir desculpa, só me custa pensar…
B – Também tenho pena de não nos ter dado uma oportunidade...
P – Que podíamos continuar a ser felizes juntos, porque eu era...
B – Eu também.
P – E não queria mudar quer fosse embora quer não.
B – Tudo se começou a complicar na minha cabeça.
P – E tenho pena que não me tivesses deixado lutar por ti. Mas sempre temos a masturbação e as fantasias eróticas! Pelo menos eu tenho! =)
B – E naquela altura tu também estavas um bocado irregular, com mau feitio e tinha medo de estar a mais na tua vida...
P – Já sabes que para a próxima basta perguntar. Não sou assim tão mau feitiozinho! =)
B – E depois há sempre este meu “pequeno defeitozinho” que não me larga, dou muito de mim e depois penso que poderá ser exagerado... e salto do barco, do comboio, qualquer dia, de um avião!
P – Numa relação há cedências e negociações
B – Masturbação? Cromo! =)
Pois há, mas pelos vistos não sou boa nisso...
P –És muito boa noutras coisas! =)
B – Ui ui!!! :p Mas eu gosto de ser boa em tudo!! Só que não consigo!
Foi bom falar contigo e de todas as maneiras "tristezas não pagam dividas" e a vida tem destas coisas...
P – Mas as 6.ª matam saudades, umas mais que outras!
B – É um dia da semana bastante redondo
P – Redondo?
B – É quase um sinonimo de P! O redondo foi só para enganar!
P – Pois, a 6.ª feira era isso, e ainda hoje tenho dificuldade em saber o que fazer à 6.ª!
B – Eu hoje limpei o quarto! Pode ser sempre uma ideia!
P – Cala–te!
B – É verdade, ficou todo limpinho, também, aqui só para nós, há muito tempo que não via tanta desarrumação no meu quarto e está cheio de coisas e coisinhas e mais coisas! Apetecia–me jogar tudo fora! Ficava apenas com a cama e com o armário!
P – Sim, realmente deves precisar de mais espaço, és muito grande!
Joga tudo fora!
B – Cala–te!
P – Não mandas em mim!
B – Sou grande sim!
Não quero mandar em ti!
P – Há sempre um mais dominante! =)
B – Podem sempre alternar, não se pode ficar sempre por cima!
P – Mas a sério, não quero deixar de estar contigo.
B – Eu também não!
P – Fogo… Não sabes que não se acaba com alguém com quem se dá tão bem na cama? Não é todo o dia que se f*** assim!! Porque para além de f****, faz–se amor, entende–se o corpo e isso é uma expressão dos nossos sentimentos, através da dádiva e da aceitação, do prazer físico.
Corporeo.

Ainda bem que te conheci miúda...