segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

(...)


Questiono-me: De que fujo? O que procuro?

sábado, 6 de dezembro de 2008

A Quinta Inspiradela



Às vezes é estranha a sensação que de repente nos assola e nos transforma em vazio, não temos entranhas, o sangue já não nos aquece a pele, não pensamos, não temos querer, somos apenas um objecto oco que anda, fala, come, bebe... Pura mecânica...
Inspiro, mas um dia guardei e hoje não encontro, o procedimento para expirar...

Fly Joe, fly...

Eu espero…espero…e espero…
A pontualidade nunca foi o teu forte.

Eu acredito que existas…
Que merda…Não sou eu agnóstico?

Eu imagino-te…
Fogo… vezes sem conta!

Concebo-te…fantasio-te!
Mas os pobres nunca mereceram o Natal!

Eu procuro-te… ininterruptamente!
Acendam a luz, por favor, está tão escuro…

…Click…

Cegaste-me…E não te conheço a voz…

Eu choro…resigno-me…

Se já não servem para te ver
que outra serventia lhes hei-de dar?



Ref: Vicente Roskopt, 2008 in http://www.osedutorfarsolas.blogspot.com/



Que melhor maneira de homenagear o mestre para além de mostrar a sua obra???

sábado, 15 de novembro de 2008

Bom dia

Foto por Henrique Guilherme, 2008

Acordei numa cama que não me pertence, não consegui dormir muito bem. Não, não foi do colchão ou da almofada a que o meu corpo ainda não se habituou, são estes sonhos que não libertam o sono e despertam a memória recalcada do meu passado. Com algum esforço dei meia volta sobre o meu braço dormente deixando-o sair do seu estado inanimado, reparei que ao meu lado ele, de nariz e queixo pequenos, ainda dormia, serenamente. Fiquei a olhar...
.
'Numa das minhas longas caminhadas por estas ruas onde não se vê viv'alma, concentro-me na música que silenciosamente me faz companhia, esboço um sorriso meio amarelo e o meu olhar nostálgico difunde-se no horizonte daquele caminho sem limite. Recordo a minha infância e a adolescência também, sempre tão tempestuosa e amarga, não fui muito feliz!
Porque falas comigo dessa maneira tão rude? Gosto de ti, porque não mostras que também gostas de mim? Afinal, não fazemos nós parte uma da outra? Sou só um pedaço de ti... Durante todos aqueles meses alimentei-me de ti, cresci dentro de ti e na verdade também te fiz crescer e ficar com aquele arzinho tão gracioso que tinhas! Conseguia ouvir quando me sussurravas baixinho aquela música que ainda hoje me consegue adormecer ou o som da máquina onde costumavas trabalhar. Durante muitas noites dormi na tua cama, ali, os monstros que habitavam o rés-do-chão da minha cama não me incomodavam. Quando acordavas para ir trabalhar, o teu cheirinho ficava na cama, agarrava-me à tua camisa de dormir e sentia-te perto de mim, era isso, queria-te perto! Mas tu nunca me afagaste o cabelo, nunca amparaste o meu choro quando caía e os meus joelhos ficavam a jorrar sangue, nunca me disseste que eu era capaz de enfrentar o mundo, nunca sentiste orgulho de mim, nunca me disseste que tinha tomado a decisão certa, para ti, a critica era o único elogio. Mas, se me engano e se alguma vez fizeste ou disseste alguma coisa que me fizesse sentir especial para ti, lamento, mas certamente as tuas cartas tinham o destinatário errado...'
.
Sabes, partir não é a solução, quero ficar e, tal como alguém um dia, na sua quotidiana Glória, disse, "A Lua vai alta, redonda como um caixote".
.
Ele acordou, levantou-se da cama, ouço uma música que de mansinho me desperta dos meus pensamentos. Sorriu...
"Bom dia!"

sábado, 20 de setembro de 2008

Jonas

Era tão bom passar contigo aqueles finais de tarde sentados na soleira da porta de tua casa. Naquela rua, ainda de terra batida, raramente alguém passava, era estreita, para a atravessar bastavam apenas três ou quatro passos. Mas nós não carecíamos desse espaço, gostávamos de passar ali o tempo, imóveis, com medo de que algum pedacinho dos nossos corpos se tocassem, mas era o medo que nos fazia encontrar!
Ao passar a porta de entrada, esperava-nos um longo e também estreito corredor de paredes altas, com o chão forrado por uma carpete em tons de vermelho e castanho. Bem lá no fundo do corredor havia um aquário, tinha apenas um peixe, pequeno, semi redondo, com manchas negras, chamava-se Jonas. Vivia fascinada por ele, puxava um banquinho e ficava ali sentada, atenta a cada movimento e, esperava por ti...
A tua casa era antiga, das paredes por vezes caiam lascas de cal fina que ficavam penduradas nos nossos cabelos e, aos poucos, com gestos tímidos e lentos, íamos tirando cada lasca, uma a uma. Nunca parávamos de falar, mesmo sem termos combinado, tentávamos que o desconforto do silêncio não caísse sobre nós.
O melhor eram os dias de chuva, por vezes tínhamos vontade de chapinhar na água que se acumulava nos buracos que os meses de Verão não conseguiram tapar, mas não o fazíamos, tínhamos medo, apenas ficávamos ali, sentados, a olhar...
Que idade tinhas mais que eu? 8 anos? 10 anos? 20 anos? Não sei, não recordo, não pensava, só queria que me ensinasses tudo o que sabias...
Passou assim tanto tempo??

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A Quarta Inspiradela


Não recordo bem em que dia decidi que não mais iria tentar compreender porque temos a destreza de complicar, adiar e até esconder aquilo que como alguém disse, "comanda a vida". Um dia estamos bem, no noutro nem por isso. Um dia queremos, no outro fugimos . Um dia pensamos, no outro já nem nos lembramos. Um dia acordamos e já não temos. Uma relação particular entre bem me quer mal me quer em conflito interior.

Talvez não recorde porque inspirar, tem sido sinónimo de sufocar...

..................................................................................


Tenho saudades do Inverno, dos dias de bruma, do céu nublado, do cheirinho a terra molhada, do sabor da chuva e do mar revolto, de sentir a cara gelada e de não sentir o nariz, respirar e ver o calor que brota de dentro do meu corpo, aproveitar e aquecer as mãos na boca, de beber chá na praia enquanto tento entender o mar, de ter conversas que não levam a lado nenhum, de flutuar...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Os Livros da minha mesa-de-cabeceira


Qual é a coisa que mais tememos no nosso dia-a-dia?

No meu primeiro milésimo de segundo pensante, ocorre-me algo que talvez seja comum à maior parte das pessoas, mais do que me perder, tenho medo de perder alguém. Quando se perde alguém, há também um bocadinho de nós que se perde e, bocadinho a bocadinho, milímetro a milímetro, aos poucos, quase sem sentir a dor dilacerante que nos penetra a pele, perdemo-nos. É assim, uma espécie de morte interior lenta. Espaços que se abrem e que são impossíveis de preencher. É como a morte lenta de uma porta carcomida pelos bichos da madeira. E lá estão eles, desde o início do ciclo de vida da porta. A árvore é serrada do seu habitat, percorre milhares de quilómetros em cima de um camião, jazida na profunda nudez de um simples tronco, até chegar à fabrica onde vai ser processada, tratada quimicamente, talhada, polida, envernizada e certamente tantos outros processos que eu deixei pelo caminho. E o bicho, esse, continua lá. Compramos a madeira transformada numa bonita porta, talhada à nossa medida, uma coisinha aqui, um relevo ali. E o bicho continua lá, adormecido. Até que um dia, por obra e graça do Espírito Santo, criam-se todas as condições, humidade, pressão e temperatura, para o bichinho se desenvolver. (À parte: Depois de ler este post umas módicas quinhentas vezes, fiquei com vontade de saber mais sobre este bichinho adorado de todos nós. Fiz uma pequena pesquisa e, de um certo ponto de vista, o bicho da madeira, ou caruncho, é apenas um artropode xilófago e existem duas espécies, a Hylotrupes bajulus e a Anobium punctatum. Este bicharoco amoroso, ou para não ofender, insecto amoroso, reduz a madeira em pó e alimenta-se da celulose que dela extrai, ou seja, se tivermos uma casa de papel, esta pode passar facilmente de casa a pó. Curiosamente, o bicho da madeira apenas se alimenta na sua fase larvar, escavando autenticos labirintos no interior dos nossos armários, cadeiras, mesas, portas ou camas. Felizmente tenho um monstro no armário! Para não falar do barulho terrível que fazem, poluição sonora, está claro! Mas isso seria um assunto que daria pano para mangas!) Começa então a batalha interminável de todos os pulverizadores contra o bicho da madeira. Gastamos os frascos que forem necessários, mas eles não morrem! E no final, o que resta é apenas uma porta cheia de buracos, que durante anos tentámos tapar.
Outra coisa que tenho medo é de insectos, aracnídeos e tudo o que tenha mais de quatro patas!
E quem não tem medo das longas filas para ir por exemplo às finanças, aos correios ou ao banco? Sim, filas e listas de espera é de ter um medo terrível!! E de filas de livros, alguém tem medo?

No outro dia, disse-me a Renata num tom que achei piada:
"Irra que a tua mesa-de-cabeceira parece a do Marcelo Rebelo de Sousa!"
Eu ao principio ainda pensei que ela tivesse andado a fazer, sabe-se lá o quê no quarto daquele que, para mim, melhor sabe monologar neste país. Mas não, disse-me a Renata que um dia tinha ouvido o Marcelo dizer na televisão que tinha muitos livros na mesa-de-cabeceira.

Então, temos algo em comum!
O problema é que os meus livros estão em lista de espera. E o que é certo é que há livros para todos os gostos, desde o "Principezinho" ao "O Retrato de Dorian Gray", outros de bolso comprados num sábado de manhã no alfarrabista, outros emprestados e outros que tenho a certeza não vou ler.

Este é um conto de um livro que (felizmente) não passou pela minha mesa-de-cabeceira:

O CORPO NO CABIDE
“Por vezes, ao acordar, sinto que a minha alma não cabe no corpo.”
Ela disse isso e depois calou-se, como se fosse ficar assim para sempre, como se tivesse esgotado tudo o que lhe restava para dizer até ao fim da vida. A frase, lançada com frieza no silêncio húmido do quarto, produziu uma pequena escuridão no espírito do homem.
“O que significa isso?”
A mulher olhou-o com uma espécie de estranhamento. Ele tentou soltar-se daquele olhar. Cobriu o rosto com o lençol.
Fiz alguma coisa que não devia?”

Momentos antes havia-a abraçado pelas costas, progredindo com cuidado, com vagar, como que atravessa às escuras uma cidade estranha. Incomodara-o que ela n gemesse alto. Queria ouvi-la gemer, gritar. Ela continuou:
“Sinto que o corpo me aperta a alma, sei lá, que está curto, entendes?, como se tivesse adormecido com quinze anos e acordasse aos vinte e cinco ainda com a mesma roupa. Sinto uma grande vontade de despir este corpo e ficar com a alma exposta, inteiramente nua.”
Trazia as unhas pintadas de negro. Ele reparou nisso vagamente inquieto. Lembrou-se quando era criança e acordava no beliche superior do seu quarto, num comboio parado algures no interior de África, e ouvia lá fora, na escuridão à solta, os pequenos ruídos do mato. O corpo da mulher era longo e liso, semelhante ao de um peixe, e de alguma forma igualmente impossível de aprisionar. Uma luz escura fluía dela como de um rio ao entardecer. O homem saltou da cama. O que podia dizer?
“Não compreendo as mulheres.”
Podia ter dito isto, alguma coisa deste género, mas seria demasiado óbvio. Sentou-se em silêncio, no canto mais afastado do quarto, e acendeu um cigarro. Ela sorriu:
“É assim tão difícil entender?”
Podia ter dito, “os homens nunca entendem nada”, mas seria inútil. As mulheres, na verdade, não precisam que os homens as compreendam. Basta que as ouçam. Ele sabia disso e assim continuou calado. Ela via-o, ali, no canto do quarto, meio encoberto pelo fumo do cigarro.
“Às vezes gostaria de poder despir este corpo. Despia-o e pendurava-o num cabide, no armário, ao lado dos vestidos que nunca mais voltarei a usar. Cuidaria dele aos Domingos de chuva, de manhã, quando me afligissem as saudades destes dias. Ou talvez simplesmente, o esquecesse. Farias amor com a minha alma nua?”
Aborrecia-o que ela n tivesse gritado. A mulher possuía um corpo intenso e vibrante (sim, havia vibrado nos seus braços), mas ao mesmo tempo parecia tão distante dele quanto um navio pousado na linha do horizonte. Não um navio qualquer: ele via-a como uma transatlântico, uma vasta cidade de espelhos e cristais, com as suas festas junto à piscina, os jantares no grande salão, os bailes de máscaras, os inúmeros assombros nos quais nunca conseguiria penetrar. Pensar nisso deu-lhe vontade de chorar. Esfregou os olhos. Murmurou:
“Vou deixar de fumar.”

Não viajara jamais num transatlântico. Sentia-se em relação a ela como o pequeno peixe-pescador, um peixe dos abismos oceânicos, cujo macho se une à fêmea com tal paixão que chega a prescindir do próprio corpo. Também ele dependia inteiramente dela. Ela, no entanto, só o achava interessante enquanto o tinha na cama. Pensou tudo isto no breve espaço que levou a acender outro cigarro. Deixaria de fumar no primeiro dia do ano. Não voltaria a fumar.
“Responde. Farias amor com a minha alma nua?”
Nos últimos meses aguardava num secreto terror por aquela pergunta. Ou melhor, se quisermos ser precisos, por uma pergunta naquele tom de voz, não exactamente com tais e tais palavras. O tom de voz é quase sempre mais importante do que a mensagem. O homem chamava-lhe – refiro-me à pergunta – o enigma final. A Esfinge afiava os dentes, “decifra-me ou devora-me”, e o que poderia ele responder-lhe?
“O teu corpo agrada-me muito.”
Seria certamente a resposta errada. Qualquer resposta seria a resposta errada. Ele envelhecera. Estava quase sábio. Compreendeu que faria melhor se continuasse calado. Preferia fingir-se de morto, como alguns animais quando o predador os alcança. Há sempre a possibilidade de que o predador apenas se pretenda divertir com a perseguição. Talvez ele não quisesse realmente a sua carne.
“Estou a assustar-te? Quero que te assustes, sim, gosto de te ver assustado. Agora responde: entre o meu corpo e a minha alma o que escolherias?”
Ele esmagou o cigarro no cinzeiro.
“Porque pintaste as unhas de negro?”
As lagartixas largam a cauda quando se sentem cercadas e a fuga não parece possível. Pode ser que o predador se interesse pela cauda, a qual, durante alguns segundos, se sacode e salta como uma coisa viva e autónoma, e então consigam esgueirar-se. Ele largou a pergunta como uma lagartixa largaria a cauda. A mulher porém não se deixou iludir:
“Responde!”

O homem compreendeu que estava perdido. Nos últimos meses tentara preparar-se para aquele instante. Agora, porém, agora que tudo ia realmente acontecer, sabia que não estava preparado. Nunca estaria. Respirou fundo. Precisava de um cigarro. O seu último cigarro. Não esperaria pelo primeiro dia do ano. Fez um esforço para pensar no mar. Num mar calmo, azul-turquesa, sob um grande sol de Verão. A imagem do mar costumava pacificá-lo. O que diria o peixe-pescador à respectiva fêmea se esta decidisse livrar-se dele? Podia dizer-lhe que a amava, que já não conseguia viver sozinho; de facto, coitado, já não conseguiria. A boca do peixe-pescador funde-se à pele que recobre a fêmea; os sistemas vasculares do macho e da fêmea unem-se e o minúsculo macho passa a depender inteiramente do sangue da fêmea para a sua sobrevivência. Transforma-se, digamos assim, num pénis portátil.
O homem sorriu com tristeza; logo a seguir, porém, pensou que um sorriso triste era uma contradição nos termos e esforçou-se por sorrir com ironia. O novo sorriso ficava-lhe mal, como alguém que sobre uma camisa escura, de corte clássico, colocasse uma gravata de fantasia com desenhos do Rato Mickey apunhalando a Minie (algo assim).
“Foi um equívoco, sabias?”
Ele, o pénis portátil, fora com ela para a cama pela primeira vez, à oito meses, graças a um equívoco feliz (poderia dizer, agora, que fora um equívoco feliz?). Não que não a desejasse; desejava-a, sim; mais do que isso, amava-a com uma paixão sem esperança. Uma noite encontrou num congresso e levou-a a jantar. Enquanto consultava o menu, exausto, distraído, a pergunta saltou-lhe dos lábios:
”E depois disto, o que queres fazer? Vamos para a cama?”
Pretendia dizer, é claro, vamos dormir, cada qual na sua cama. Ela não lhe deu, contudo, tempo para se explicar. Olhou-o de frente, com os mesmos olhos cruéis que o olhava agora:
“Vamos.”
Ele enfiou a cabeça no menu para esconder a perturbação. O empregado afastou-se muito direito, muito depressa, e explodiu às gargalhadas na cozinha (é assim, pelo menos, que imaginara a cena). Foram para o quarto dela. Havia uma desordem de roupas sobre a cama. A mulher deixou que o vestido lhe deslizasse até aos pés e ficou nua diante dele, bela como um abismo, a pele negra reluzindo na penumbra.
“Trazias o teu vestido verde, lembras-te?”

Ela não se queria lembrar. Vivia o presente e esquecia o passado. Fazia alarde disso. Atirou o lençol para longe e de novo o esplendor daquele corpo jovem o aterrorizou. A fêmea do louva-a-deus assassina o macho por luxúria. Um louva-a-deus macho ao ser decapitado executa melhor e com mais vagar os movimentos espasmódicos próprios da cópula. A fêmea corta a cabeça ao macho e devora-lhe as entranhas enquanto este se agita ansiosamente para atingir o orgasmo. Em algumas espécies, com a excitação, a fêmea muda de cor e brilha.
A mulher levantou-se e avançou lentamente em direcção a ele. Uma escuridade acesa. Bela como um abismo. Bela como um louva-a-deus fêmea antes da cópula.

Referência: Agualusa J. 2003. O Catálogo das Sombras: Contos. Publicações Dom Quixote. Lisboa. pp. 69 a 76.

domingo, 4 de maio de 2008

Mamã


Dia Mundial da Paz, dia Mundial do Braille, dia dos Reis Magos, dia do Holocausto, dia internacional da Língua Materna, dia Europeu da Vítima de Crime, dia das Nações Unidas para os Direitos da Mulher, Dia Europeu das Vítimas de Terrorismo, Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, dia do Pai, Dia mundial da Poesia, Dia Mundial para a Eliminação da Discriminação Racial, Dia Mundial da Floresta, Dia Mundial da Árvore, Dia Mundial do Sono, Dia Mundial da Água, Dia Meteorológico Mundial, Dia do Estudante, Dia do Livro Português, Dia Mundial do Teatro, Dia Nacional do Dador de Sangue, Dia das Mentira, Dia Internacional do Livro infantil, Dia Mundial da Saúde, Dia Nacional dos Moinhos, Dia do Cosmonauta, Dia Mundial da Terra, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, Dia Mundial do Escutismo, Dia Nacional da Educação de Surdos, Dia da Liberdade, Dia Mundial da Propriedade Intelectual, Dia Mundial da Prevenção e Segurança no Trabalho, Dia Mundial da Dança, Dia Mundial do Trabalhador, Dia da Mãe, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, Dia Internacional do Soldo Programa da Nações Unidas para o Ambiente, Dia Europeu da Música, Dia Mundial da Segurança Social, Dia Nacional da Segurança Social, Dia da União Europeia, Dia Internacional das Famílias, Dia Mundial das Telecomunicações, Dia Internacional dos Museus, Dia da Marinha, Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Dialogo, Dia mundial para o Desenvolvimento Cultural, Dia Internacional da Diversidade Biológica, Dia do Autor Português, Dia Europeu dos Parques Naturais, Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, Dia internacional da Energia, Dia Nacional da Energia, Dia Mundial do Não Fumador, Dia Mundial da Criança, Dia Internacional das Crianças Inocentes Vitimas de Agressão, Dia Mundial do Ambiente, Dia Nacional do Cigano, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, Dia Mundial de Luta Contra a Desertificação e a Seca, Dia Mundial dos Refugiados, Dia das Nações unidas para o Serviço Público, Dia Olímpico, Dia Internacional Contra o Abuso e o Tráfego Ilícito de Drogas, Dia Internacional de Apoio às Vitimas de Tortura, Dia Nacional do Multimédia, Dia da Força Aérea, Dia da Região e das Comunidades Madeirenses, Dia da Policia de Segurança Pública, Dia Mundial da Cooperação, Dia Mundial do Salvamento, Dia Mundial da População ,Dia dos Avós, Dia Nacional da Conservação da Natureza, Dia Internacional das Populações Indígenas, Dia Internacional da Juventude, Dia Mundial da Fotografia, Dia Internacional para a Memória do comércio de Escravos e sua Abolição, Dia Internacional da Solidariedade, Dia da Herança Europeia do Conselho da Europa, Dia Internacional da Alfabetização, Dia da Solidariedade das Cidades Património mundial, Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono, Dia Europeu sem Carros, Dia Internacional da Imprensa, Dia Mundial do Turismo, Dia Mundial da Música, Dia Nacional da Água, Dia Internacional das Pessoas Idosas, Dia Mundial da Arquitectura, dia Mundial do Animal, Dia da Implantação da República Portuguesa, Dia Mundial dos Professores, dia Nacional dos Castelos, Dia Mundial da União Postal Universal, Dia mundial dos Correios, Dia Mundial da Saúde Mental, Dia mundial da Luta Contra a Dor, Dia Mundial da Alimentação, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, Dia da Organização das Nações Unidas, Dia Europeu da Justiça Civil, Dia Mundial da informação sobre o Desenvolvimento, Dia Nacional da Cultura Cientifica, Dia Nacional da Desburocratização, Dia Mundial da Terceira Idade, Dia Mundial da Poupança, Dia de Todos os Santos, Dia da Luta Contra o Cancro, Dia dos Finados, Dia Internacional contra o Fascismo e o Anti-Semitismo, Dia Mundial da Ciência para a Paz e Desenvolvimento, Dia de São Martinho, Dia doa Armistício, Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, Dia Internacional para a Tolerância, Dia Nacional do Mar, Dia Nacional do Não Fumador, Dia Universal da Criança, Dia Mundial da Televisão, Dia Mundial da Memória das Vítimas das Estrada, Dia Nacional da Cultura Científica, Dia Internacional para a Eliminação da Violência sobre a Mulher, Dia Nacional do Empresário, Dia Mundial da SIDA, Dia da Restauração da Independência, Dia da Filatelia, Dia Internacional de Abolição da Escravatura, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, Dia Mundial do Voluntário, Dia de Timor-Leste, Dia da Declaração Universal dos Direitos do Homem, Dia Internacional do UNICEF, Dia internacional das Montanhas, Dia Internacional das Migrações!
Dias para todos os gostos!! Qual será o sentido disto, alguém me diz??

E assim acabei por me perder no objectivo desta mensagem, que era simplesmente, Feliz Dia da Mãe, Srª Dona Lúcia que me dás cabo do juízo em mais de metade dos dias que um ano consegue ter!!! :) (Já passou o dia da Mãe mas não faz mal!!)


sábado, 19 de abril de 2008

Prefácio

"O artista é o criador das coisas belas.
Revelar a arte e esconder o artista é o fim da arte.
O crítico é aquele que pode traduzir, de outra maneira ou num novo material, a sua impressão sobre as coisas belas.´
A mais elevada., assim como a mais baixa, forma de crítica é uma espécie de autobiografia.
Os que encontram belas intenções nas coisas belas são os cultos. A esses falta-lhes a esperança.
Existem também os eleitos para quem as coisas belas significam simplesmente beleza.
Um livro nunca é moral ou imoral. Está bem ou mal escrito. E é tudo.
A aversão do século dezanove pelo Realismo é a raiva de Caliban ao ver a sua própria cara no espelho.
A aversão do século dezanove pelo Romantismo é a raiva de Caliban ao ver a sua própria cara no espelho.
A vida moral do homem é, em grande parte, a temática o artista. Mas a moralidade da arte consiste no perfeito uso de um meio imperfeito. Nenhum artista deseja provar alguma coisa. Mas nem as coisas certas podem ser provadas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. Num artista a simpatia ética constitui uma imperdoável adulteração de estilo.
O artista nunca é maldoso. O artista pode expressar tudo.
Vício e virtude são para o artista materiais de uma arte.
Do ponto de vista formal, o modelo de todas as artes é a arte do músico. Do ponto de vista sentimental, é o trabalho de uma actor.
Toda a arte é, à vez, superfície e símbolo.
Os que quiserem compreender o símbolo, também correm os seus riscos.
É ao espectador, e não à vida, que cabe realmente reflectir sobre a arte.
A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte demonstra que a obra é nova, completa e vital. Quando os críticos discordam, o artista está de acordo consigo mesmo.
Podemos perdoar um homem por ter feito uma coisa útil, sempre que não a admire. A única desculpa que tem em fazer uma coisa útil é que haja alguém que a admire intensamente.
Toda a arte é completamente inútil."

Oscar Wilde


Referência: Wilde O (1997). O retrato de Dorian Grey. EDICLUBE, pp. 5 e 6.


Acredita que gostei!! :)

domingo, 13 de abril de 2008

Storm... in the morning light

ROADS by Portishead:
Ohh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say

How can it feel, this wrong
From this moment
How can it feel, this wrong

Storm.. in the morning light
I feel
No more can I say
Frozen to myself

I got nobody on my side
And surely that ain't right
And surely that ain't right

Ohh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say

How can it feel, this wrong
From this moment
How can it feel, this wrong

Ohh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say

How can it feel, this wrong
From this moment
How can it feel, this wrong


E como não consigo por aqui o video, ficam com o link!! :) http://www.youtube.com/watch?v=tDzwJieSxe0

terça-feira, 8 de abril de 2008

As grandes lentes

Às vezes sinto que a vida é estranha, talvez no fundo todos usamos umas grandes lentes graduadas que nos permitem ver com nitidez o que nos rodeia! Mas se todos usamos grandes lentes, porque tenho que usar óculos enquanto escrevo estas palavras sem sentido? Ou será que ao longo do tempo nem as grandes lentes nos deixam fugir ao sentido lúcido e sem graça da vida?
Nos últimos dias digamos que focar não é coisa que consiga fazer com facilidade... Tenho pensado bastante no sentido que damos a ser nós próprios, e no tempo que desperdiçamos a fazer, dizer ou mesmo pensar coisas inúteis ou a tentar desfocar aquilo que por natureza é nítido!
Talvez seja essa a nossa razão de viver ou o intuito de morrer...

quarta-feira, 12 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

Walking on my feet!

Porque às vezes faz bem pôr de lado as coisas que achamos indispensáveis no dia-a-dia e desfrutar de pequenos prazeres que a natureza nos proporciona! :)
E, enquanto mergulhava os meus pés na areia morna ou no mar fresquinho daquela praia, passavam-me pela cabeça mil e uma imagens e em uníssono, pairavam sobre ela mil e duas perguntas!
Porque me escapam da memória momentos e sensações passados em sítios onde, apesar da luz ténue, a vibração que sinto nos tímpanos não me deixa pensar? Porque será que as minhas fraquezas e medos, que apesar de tudo fazem parte desta condição de ser humano, estão sempre tão presentes? (As outras mil perguntas ficam para depois!!! :->)
E no meio destas minhas memórias difusas que ultimamente o meu cérebro teima em processar, existem uns pontinhos queainda não percebi se são pretos ou mesmo negros... porque será?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A Terceira Inspiradela

Na terceira vez que decido inspirar profundamente, acontece aquilo a que chamo mudança!
Por incrível que pareça, hoje não viajo pelo passado longínquo, por aquelas memórias que na maior parte das vezes me perturbam, como se nesses momentos voltasse a sentir a minha pequenez, assim do tamanho das estrelas quando olhamos para o céu! Hoje inspirei e, recuei apenas um dia...
Estava eu sentada naquele lugar que conhecemos em Agosto, e que de repente se tornou o nosso lugar de eleição, porque será? Durante todos
aqueles meses de incessante convívio, creio que circulamos e aquecemos todas as cadeiras e sofás que por lá passaram!!! O que não deixa de ter a sua piada :) Mas o objectivo não era recuar apenas um dia? Então recomeço:
Ontem estava eu sentada num daqueles sofás, sentada não, completamente recostada, e quase ao meu lado havia alguém que olhava para mim e falava... Dei por mim com vontade de fechar os olhos e continuar a ouvir aquela voz, como uma criança que ouve uma história antes de dormir e sonha com ela...

E na minha terceira inspiradela, desta vez pelo mundo dos crescidos, senti-me maior que as estrelas!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Prende-me a ti!

Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa
- Olá, bom dia ! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
- Ah! Então desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar e acabou por perguntar:
- O que é que "estar preso" quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas a procura?
-Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que é que "estar preso" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas a procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho. - Ando à procura de amigos. O que é que "estar preso" quer dizer?
- É uma coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazito perfeitamente igual a outros cem mil rapazitos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor... tenho a impressão que estou preso a ela...
- É bem possível - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- Oh! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então é de outro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça... E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão... - disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar muito tempo para o principezinho.
- Por favor... Prende-me a ti - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho. - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens não têm amigos. Se queres uma amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. - Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores por exemplo, têm um ritual. À quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, à quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho prendeu a si a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa. - Ai que me vou pôr a chorar...
-A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sozinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a ela que eu regeui. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi a ela que abriguei com um biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se q até às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
Então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho para nunca mais se esquecer.

Saint-Exupéry A. 1946. O principezinho. Editora Caravela, Lisboa, 66-74.

E foi isto que ontem não deixou que eu visse o eclipse... valeu a pena certamente!! :)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Eclipsada

Queres vir?? :)
(Simela Pantzartizi)

É na madrugada do proximo dia 21 de Fevereiro que ocorre o único eclipse lunar total do ano 2008 (o próximo será apenas no final do ano 2010) e é observável em todo o país. Aqui ficam com o horário para não perderem nenhum pormenor:
00h35: A Lua entra na penumbra

01h43: A Lua entra na sombra
03h01: O eclipse total começa
03h26: Meio do eclipse
03h52: O eclipse total termina
05h09: A Lua sai da sombra
6h17: A Lua sai da penumbra
Ah, é verdade, façam a dança da chuva, mas... ao contrário!!! :)

E agora um pouco de ciência:

Um eclipse lunar é um fenómeno celeste que ocorre quando a Lua penetra totalmente ou parcialmente o cone de sombra projetado pela Terra, em geral sendo visível a olho nú. Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio deste. Assim, o eclipse lunar só ocorre quando a fase de Lua Cheia e a passagem desta pelo seu nodo orbital, coincidem. Este último evento é também responsável pelo tipo e duração do eclipse.
André-Louis Danjon criou uma escala que classifica o obscurecimento durante um eclipse lunar (Escala de Danjon), esta escala vai de 0 a 4:
L=0: Eclipse muito escuro, a Lua torna-se quase invisível durante a totalidade.
L=1: Eclipse escuro de cor acinzentada ou próximo de castanho.
L=2: Eclipse com cor vermelha. A sombra central é muito escura mas as bordas são mais claras.
L=3: Eclipse cor de tijolo. A borda da sombra é brilhante ou amarela.
L=4: Eclipse muito brilhante com cor alaranjada. A borda da sombra é brilhante ou azul.

O eclipse do dia 21 será do tipo L=0.

Referência: MacRobert A. 2004. October's Ideal Lunar Eclipse. Sky and Telescope, 108(4). in http://pt.wikipedia.org/wiki/Eclipse_lunar

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Hoje

Às vezes nem sei bem porque criei este blog, enfim, talvez nem precise de um argumento que seja válido. O que é certo é que talvez sirva apenas para escrever o que me vai na alma, para não deixar escapar nada, para nada cair em esquecimento, nem mesmo as pequenas coisas...

Hoje foi um dia cheio de emoções, daqueles dias que nos marcam pelas pequenas coisas, pelas coisas banais do dia-a-dia, que normalmente nem damos por elas mas que um dia assim sem querer (ou meio por querer), nos fazem sorrir!
Hoje o mar estava como tu gostas, revolto… Não foi isso que me disseste naquele dia??

Hoje mais uma vez, minha amiga, mostraste-me que as melhores coisas surgem de forma inesperada...
Hoje disse-te que sim, minha noiva em fuga!!!!!!!! :) E mesmo que não seja para valer, ou por uma razão ou por outra, podemos fazer de conta!!;)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Vazio


Insignificantes pontinhos, num mundo cheio de pontos... Deixa-te cair no vazio...


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

BABALU, para pensar estou cá eu!!!!!

Se não fosse a minha renezinha que seria de mim?? Mas minha amiga não se esqueça que eu não sou do seu tempo!!! eheh
Este post é todinho só para ti, e sempre anima aqui as hostilidades!!! :) Mas com poucas palavras para não parecer mal!!! ehehe ;) E a imagem diz tudo!!

A Luz

São só imagens, uma paleta de cores ofuscante. São confusas, um reflexo espelhado de nós próprios. São profundas, densas, sombrias...

Numa manhã enquanto dava meia volta na cama, dei por mim de pensamento perdido no meio de folhas cheias de palavras escritas à mão, numa perfeição que agora me incomoda. Tinha comprado aquele caderno num dia que passei sentada naquele banco de jardim (recordas?). Nesse dia, o vento zumbia incessantemente nos meus ouvidos e, na minha cabeça voavam imagens, palavras, recordações, desejos... Nesse mesmo dia pensei que assim fosse possível apagar as memórias que me perturbavam, mas hoje consegui perceber que há coisas que por mais que tentemos não são assim tão lineares...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

De alguém que não assinou

"A caneta não é a melhor e a letra também não. Vais levar algum tempo até conseguires ler o que escrevi, tem mais piada assim. Estou muito contente por ti, por conseguires realizar este "feito", estou muito orgulhoso da minha grande amiga. (...) Acompanhei o teu percurso escolar... Gostava tanto poder voltar atrás e poder viver estes momentos outra vez, como não posso contento-me com as recordações. Quero desejar-te muitas felicidades e sorte para esta fase da tua vida. Conhecendo-te como eu te conheço, sei que vais vencer na vida e digo-te isso do fundo do coração e com sinceridade, porque tu és grande (grande mulher). E já agora, não te esqueças dos amigos. Eu não vou esquecer-te, tens sempre um lugar guardado no meu (o meu coração é mais bonito que o esboço)."

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A Segunda Inspiradela


Inspiro tranquilamente pela segunda vez...

A humidade do ar quase não deixa que os meus pulmões se encham de oxigénio, sinto-os pesados... Mas qual o seu significado quando o que me fazem sentir são apenas alguns quilinhos que acrescento ao peso que me vai na alma?
Numa conversa que tive um dia com alguém que mal recordo, lembro apenas as palavras rudes e cruas com que me tentava dissuadir de um pensamento qualquer e dizia: "Somos a vida que temos, aquela que escolhemos..."

Hoje sinto-me assim, como o Sol esteve um dia...